segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A rolha realmente faz a diferença?


           
                  Vejam a foto acima, reparem nesta última rolha, a quinta da esquerda pra direita. É... Ela realmente destôa das outras não é mesmo? No visual ela é maior e mais larga, no tato é muito mais consistente. Foi retirada da garrafa de um Caymus 2008, um cabernet sauvignon californiano do Vale do Napa. Não resta a menor dúvida que o vinho é excelente, de nariz e de boca, caro, imponente e que tem seu valor. Contudo, será que precisa mesmo da rolha com esse tamanho?
                Será que isso não encarece mais o produto? Sobre o ponto de vista do crescimento sustentável, será que é ecologicamente correto? Vejamos a seguir de onde são extraidas, como são  produzidas, quais os tipos de rolha, a partir daí tirem suas conclusões.
                 A rolha é um objeto de cortiça compressivo e elástico, de origem vegetal obtido da casca do sobreiro. O sobreiro cujo o nome científico é Quercus suber é uma árvore encontrada principalmente nos seguintes paises: Portugal, Argélia, Espanha, Marrocos, França, Tunísia e Itália. Dos 22 bilhões de rolhas produzidas por ano no mercado mudial, 80% é porduzido em Portugal.  Ao longo dos anos a rolha de cortiça tem se tornado um oligopólio natural.
                 Ainda é impossível desvincular a imagem  de um bom vinho, de uma bela garrafa e uma boa rolha. Por quê? Pode ser pela tradição e pelo fascínio que esse tipo de produto exerce sobre o consumidor. Quantas vezes servimos um vinho para um leigo e nos deparamos com o seguinte cometário. "Esse vinho é muito bom ! Olha só o pêso dessa garrafa !" Pois é, existe um certo misticismo com esses detalhes. Como se garrafa pesada fosse sinal de vinho bom.
                Sobre a rolha posso dizer, é um componente que revolucionou a indústria do vinho. Material excelente para a vedação das garrafas por ser impermeável, elástica, resistente e durável.
Antes da descoberta da rolha, valia tudo para conservar o vinho, até mesmo o uso de azeite ou óleo vegetal, que não sendo missíveis com o vinho ( menor densidade) formava uma camada na superfície isolando-o do meio exterior.
                O sobreiro, como é chamado o Quercus suber, é uma árvore que  vive 150 anos e tem sua primeira extração de rolhas aos 20 anos. Suas  extrações seguintes são a cada 10 anos. A cortiça mais adequada só é conseguida na terceira extração. Um sobreiro permite ao longo de sua existência 12 a 15 extrações produtivas. O fato também da árvore só ser encontrada em pouquíssimos países, torna a cortiça um material caro. Não é por acaso que as rolhas dos vinhos inferiores são muito curtas e feitas de aglomerado de raspas ou só de pó de cortiça.
               Uma rolha decente (comprida e de boa cortiça) é fundamental na conservação de um bom vinho, porém, isso não depente só da rolha, a garrafa tem que ficar numa posição que o líquido mantenha contato com a rolha pois, molhada a cortiça se expandirá e vedará completamente a garrafa. Uma rolha defeituosa pode apresentar vazamentos e permitir a entrada de oxigênio na garrafga, fato extremamente nocivo ao vinho.
                Quando contaminada por fungos transmite ao vinho cheiro e gosto desageadáveis com características de mofo ou papelão molhado. O vinho com cheiro de mofo é chamado de "bouchonée"( do Francês; buchon = rolha). Por isso, longe de ser pedantismo, examinar a rolha e cheirá-la quando uma garrafa é desarrolhada à mesa.
                 A rolha de cortiça é companheira do vinho desde o século XVI. Atualmente existe uma grande discursão em torno do preço das rolhas e da contaminação a qual elas estão sujeitas. A contaminação pode ocorrer no sobreiro e nas reações com produtos químicos (fenois). Visto esses problemas passou-se a questionar o uso da rolha de cortiça e iniciaram-se pesquisas para encontrar um substituto sintético à altura.
                   A guerra das rolhas de cortiça versus rolhas sintéticas está acirrada, os americanos, australianos e ingleses acham que o vinho é como qualquer outro produto alimentício, e portanto a contaminação é imperdoável. Isso vai de encontro ao fato de que 10% dos vinhos fabricados são bouchonné. Os pró-cortiça apontam as impurezas das sintéticas e afirmam que o não uso da cortiça acarretaria sérios danos econômicos aos países produtores e levaria extinção das florestas de sobreiro e destruição do habitat natural de inúmeras espécies de pássaros raros.
                   Outro tipo de vedação de garrafas é a que utiliza tampa de rosca  a "screw cap" (usadas também em garrafas de Uísque), esta vem se tornando popular, principalmente nos Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e Inglaterra.
                   Existe uma campanha agressiva feita pelos pró-sintética e pró-rosca, a  ponto de ocorrer em Nova York no ano de 2002, um jantar funeral da rolha de cortiça. Todos foram ao evento trajando luto e o fato que chamou atenção foi o pronunciamento da fomosa Master of Wine, Jancis Robinson que proferiu palavras de despedida à rolha tradicional.
                  Em 2003, outro expoente da enologia mundial Hugh Johnson escreveu em seu "Pocket Wine Guide 2003", que 5 a 10% das garrafas de vinho são contaminadas pelo tricloroanisol (TCA), que rolha de cortiça é importante no envelhecimento lento do vinho, mas os vinhos do dia a dia, de caráter fresco e frutado, devem ter tampa de rosca.
                  Em seu livro "O vinho no Gerúndio" o mestre Júlio Anselmo de Souza Neto afirma que: "Penso que uma garrafa de vinho com rolha sintética ou tampa de rosca é como uma mulher elegantemente vestida, mas calçando sandálias havainas".
                  Olhem novamente a foto, a terceira rolha da esquerda pra direita é de um Don Melchor 2005, um dos ícones da América do Sul. Um vinho tão bom ou melhor que o nosso Caymus 2005. Observem o tamanho da rolha do Don Melchor, ela não tem nada de paranormal. Já a segunda rolha da esquerda pra direita pertence a um super toscano Biondi Santi, o emblemático Sassoalloro 2005, também nada de paranormal. Duas rolhas extremamente simples utilizadas na vedação de dois grandes vinhos. Agora pensem, analisem e tirem suas conclusões.
               
            Fontes:
                      01. Manual Didático do Vinho ( Daniel Pinto)
                      02. O Vinho no Gerúndio ( Júlio Anselmo de Souza Neto)
                      03. The Oxford Companion to Wine ( Jancis Robinson)
                      04. Larousse do Vinho           

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Robert Mondavi Private Selection 2008 Cabernet Sauvignonn


Vinho : Robert Mondavi Private Selection
Tipo : Tinto seco
Safra : 2008
Produtor : Robert Mondavi
País : Estados Unidos
Região : Califórnia (Vale do Napa)
Casta : 100% Cabernet Sauvignon
Onde Comprar : http://www.wine.com.br/
Preço : R$ 90,00  Clube W : R$50,00


                    A Califórnia é um região extremamente favorecida pelo clima propício para produzir vinho. Foi na década de 60 que os consumidores americanos começaram a procurar um vinho de melhor qualidade na califórnia e daí por diante os produtores já determinados e finaceiramente sólidos, aceitaram o desafio, terminando por vencê-lo.
                    A diversidade das regiões do Golden Stade (Califórnia), ensolarado o ano inteiro, fornece uma gama de terroirs e micro climas que vão desde as frias zonas oceânicas do pacífico até as terras férteis do vale do San Joaquim Valley.
                 Atualmente a Califónia produz 2 bilhões de garrafas de vinho por ano, cerca de 90% da produção dos Estados Unidos.
                  Robert Mondavi Private Selection Cabernet Sauvignon 2008,  um vinho de cor vermelho púrpura, demonstrando no visual ser muito jovem com lágrimas grossas, lentas e em grande quantidade. No nariz é bem adocicado, muita fruta, ameixa, cereja, amora e também chocolate branco. Na boca macio e redondo até demais. Tão macio que fica enjoativo a partir da segunda taça. Na minha opinião falta acidez. Taninos bem domados com final sem muita expressão. Quanto ao álcool nota-se nos primeiros goles, depois desaparece. Confesso que já gostei muito desse tipo de vinho mas, no momento não faz mais meu gênero. É um vinho que já nasceu maduro, coisas de novo mundo, mais precisamente de americano.
                   Pra acompanhar, fui de filet alto (crocrante por fora e sangrante por dentro) com arroz branco e batata frita. Quer saber, o vinho harmonizou muito bem com a carne porém, a carne estava bem mais saborosa do que o vinho. Tive mais prazer na comida do que na bebida desta vez.
                   Por ser um vinho produzido pelo emblemático Robert Mondavi, esperava muito mais desse caldo americando.  

domingo, 12 de dezembro de 2010

Ibéricos Crianza 2007


Vinho : Ibéricos Crianza
Tipo : Tinto seco
Safra : 2007
País : Espanha
Produtor : Bodega Torres (Miguel Torres)
Casta : 100% Tempranillo
Graduação : 14%
Onde Comprar : http://www.wine.com.br/
Preço : R$ 65,00

                  A Viña Torres nasceu em 1870, criada por Jaime Torres Vendrell. Localizada nos arredores de Barcelona, esta bodega se destaca por colecionar inúmeros prêmios. Se não vejamos: Em 1999, foi eleita a vinícola mais importante da Espanha; no ano de 2006, foi considerada a produtora de vinhos mais influente da Europa. Em 2007, Miguel Torres seu presidente foi agraciado como produtor mais relevante da Europa.
                   O Ibéricos Crianza é um vinho produzido pela Viña Torres mas, traz com ele uma característica especial, é o primeiro vinho da Torres na Rioja, fruto da união de bascos e catalães.
                   Miguel Torres Ibéricos Crianza Tempranillo 20007, tem cor vermelho rubi com halo terracota, lágrimas viscosas, lentas e espaçadas. Aromas de frutas vermelhas, pão tostado, café torrado, pimenta do reino e chocolate. No palato agradável apesar de ser um crianza se mostra bastante evoluído em boca. Na primeira taça sente-se um pouco o álcool mas, no segundo copo em diante tudo fica perfeito. Acidez bem integrada com o álcool e retrogosto bem persistente e agradável. No final nota-se um pouco de caqui bem maduro e chocolate meio amargo.
                   De comum acordo com o meu cunhado Lula Matos Brito, escolhi queijo parmesão e salame de javali para harmonizar com este surpreendente tinto espanhol. Fiquei receoso pelo parmesão (muito forte), mas o vinho suportou muito bem.
                   Este vinho recebi pelo clube W (wine.com.br) e confesso aos senhores, fiquei surpreso pela grande qualidade do caldo. Parabéns aos que fazem a Wine. Quero também deixar os meu elogios pela excelente logística da empresa, que além de não cobrar frete dos associados entrega a mercadoria bem acondicionada em embalagens muito elegantes e no máximo em 72 horas (pelo menos aqui para Fortaleza).
                   
                      

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Baron de Hoen Pinot Gris 2007




Vinho : Baron de Hoen
Tipo : Branco seco
Safra : 2007
País : França
Região : Alsácia
Casta: 100% Pino Gris
Graduação : 13%

                              Cor amarelo palha, cristalino, lágrimas em média quantidade que descem bem lento pela taça. Aromas cítricos, abacaxi, damasco, limão, laranja e maracujá. No palato muito agradável, acidez perfeita, final de boca bem persistente. Foi o melhor vinho da noite.
                              Esse grande vinho da Alsácia eu tomei por ocasião de um jantar na casa dos amigos Jackson Gondin e Michele. Ele neurocirugião dos bons e ela anestesiologista também muito competente. Adquiriram esse exemplar em uma viagem que fizeram à França.
                             Michele, como boa francesa, é apaixonanda pelos encantos enológicos da Alsácia. Na mesma noite abrimos também um Riesling e um Gewürztraminer mas, a meu juízo, o que mais chamou atenção foi está jóia de uva pinot gris.
                            Para mostrar seus magníficos dotes culinários, Michele fez um delicioso salmão com vieiras. Não precisa falar mais nada! Ficou uma coisa do outro mundo! O outro casal (Werton e Volilma) que estava presente no super jantar, se encantou com a perfeita hamonização. Realmente o salmão veio pra se integrar perfeitamente com a acidez deste caldo alsaciano.
                            Como vocês viram, não coloquei nem preço e nem onde comprar esse vinho. Procurei na internet se conseguiria achá-lo no Brasil mas foi em vão. De qualquer maneira fica aí mais um vinho degustado e aprovado por min.
                             Só me resta torcer para ser gentilmente convidado mais uma vez pelo casal de amigos Michele e Jackson, e ser apresentado a outros vinhos deconhecidos e maravilhosos como este. Parabéns e obrigado aos anfitriões pela belíssima noite. 
                                                   

domingo, 5 de dezembro de 2010

Pouilly Fumé Clos Joanne D'orion 2007





Vinho :  Pouilly Fumé Clos Joanne D'orion
Tipo : Branco seco
Safra : 2007
País : França
Região : Loire ( Pouilly-Sur-Loire)
Produtor : Vignoble Gitton Père & Fils
Casta : 100% Sauvignon Blanc
Graduação : 13%
Onde Comprar : Restaurante Chez Felipe (Porto Alegre)

                         Pouilly Fumé Clos Joanne D'orion 2007 fermentado de dez a quinze meses em cubas de aço inox é um dos grandes vinhos do produtor Pascal Gitton.
                         Cor amarelo palha, lágrimas bem evidentes. Aromas de defumados, grafite, frutas cítricas, abacaxi, damasco e grama cortada. Na boca bem mineral, agradável, acidez perfeita, bem elegante. Final de boca muito longo sem amargor. Na minha opinião, esse vinho está perfeito. Um vinho surpreendente que achamos no Restaurante Chez Felipe em Porto Alegre. Procurei na internet o importador mas não descobri, talvez o Felipe tenha importado direto.
                         Para hamonizar, o Chefe Felipe fez um camarão com lula e enguia (foto), acompanhado com arroz negro. Ficou simplesmente maravilhoso. Acidez do vinho combinou perfeitamente com os mariscos, a ponto de ser elogiado por todos da mesa. Curtiram comigo essa grande harmonização os médicos amigos e anestesiologistas:  Ricardo Barreira e Alessandra (CE), Manara (SP), Sérgio Rôla (CE) e Hugo (BA).
                        O Restaurante Chez Felipe foi escolhido pelo juri da Veja como o melhor Restaurante de comida francesa de Porto Alegre em 2010. Vale a pena conferir e seguir o meu pedido. O preço? Não chega a ser dos mais caros, mas  também não é dos mais baratos.
                      

sábado, 4 de dezembro de 2010

Patrón Santiago Reserva 2007









Vinho : Patrón Santiago Reserva
Tipo : Tinto Seco
Safra : 2007
Produtor : Finca El Zorzal ( Manuel Lopez Lopez)
País : Agentina
Região : Maipú -  Mendoza
Casta : 100% Malbec
Graduação : 14,5%
Onde Comprar : Marchand du Vin (Porto Alegre)
Velha Lage Vinhos (Canela)

                     Patrón Santiago Reserva 2007, cor vermelho rubi intenso com halo violáceo, bem novo aos olhos. Lágrimas abundantes e viscosas. No nariz, um pouco alcoólico na primeira taça, depois vai evoluindo, liberando aromas de morango, cereja, ameixa.  Nos remete também a pimenta do reino, couro e café torrado. Na boca se comporta como no nariz. O primeiro gole é alcoólico, depois vai evoluindo, melhorando até ficar com gosto de chocolate meio amargo e café. Taninos bem domados que se integram bem com o álcool. Elegante e saboroso na boca, com um final bem longo e agradável. Sugiro sempre decantar pelos menos 40 minutos antes de bebê-lo, assim você não se depara com a fase alcoólica desse vinho. Deve melhorar mais nos próximos cinco anos.
                   Harmonizamos esse caldo portenho com um belo churrasco de capa de filé, costela de boi e bife de tira. O vinho e a carne combinaram de maneira perfeita. Realmente um vinho que clama por comida, e carne vermelha então, é o seu par perfeito.  Ah! Por falar em churrasco, esse foi feito pelo amigo anestesiologista Marcos Aguzoli (foto). Abriu sua casa em Porto Alegre para nos receber com elegância e alegria. Nunca vi churrasqueira tão perfeita. Simplesmente ficamos na sala (na última foto vejam a churrasqueira lá no fundo), em ambiente fechado com ar condicionado e não vimos nenhum sinal de fumaça ou cheiro desta na roupa. É realmente fantástico o sistema de exaustão dessa churrasqueira.
                  O vinho foi levado pelo amigo Fernando Nora, que por sinal, é representante exclusivo dos vinhos Patrón Santiago na Grande Porto Alegre, através da sua vinoteca Marchand du Vin. O vinho era tão bom que tomamos seis garrafas.
                    Patrón Santiago Reserva malbec 2007 esse eu aprovei e indico muito.

Marchand du Vin  (Boutique de vinhos)
Rua 24 de Outubro,541 - Bairro Moinhos de Vento
Cep. 90.510-002, Porto Alegre/RS
Fone: (51)3084 9818 / 3084 9808
              

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Voltando das férias

              

                     Resolvi tirar 12 dias de férias e aproveitei para unir o últil ao agradável. Sabedor de que o Congresso Brasileiro de Anestesiologia era em Porto Alegre, resolvi fazer turismo enograstronômico pela região Sul.
                    Tivemos oportunidade de conhecer alguns restaurante em Porto Alegre, dentre eles, o francês Chez Felipe (melhor francês, eleito pelo juri da Veja) e um de comida contemporânea, o Hashi Art Cuisine. Este, escolhido o melhor de comida variada, com uma culinária de influência francesa e oriental. É bem interessante. Em outra postagem, falarei com maiores detalhes da comida e dos vinhos que degustamos nesses restaurantes.
                   Em Gramado e Canela os restaurantes que mais se destacaram foram:  Belle du Valais um restaurante francês sofisticadíssimo, com obras de arte por todo o ambiente. Toda a louça e decoração é assinada pela sofisticada loja Giovanna Regali. A comida é excelente, uma carta de vinho, eu diria de boa qualidade mas, os preços um pouco salgados. Outro que nos chamou atenção foi o de comida mediterrânea, o La Table Dor Mediterranée, do simpático chefe Paulo Gradin. Carta de vinho das melhores que vi em Gramado, comida maravilhosa, decoração do ambiente impecável. Fica em frente ao espetáculo Fantástica Fábrica de Natal. Uma dica: ao chegar no espetáculo por volta de 21 horas, vá logo ao La Table Dor e reserve mesa pra depois do show. Caso contrário, vai ser difícil conseguir vaga. Ao final do jantar, o próprio Paulo Gradim (proprietário e chefe), foi educadamente nos levar ao hotel.
                   Fomos também  ainda em Gramado, ao Portugália. Restaurante de comida portuguesa. Destaca-se pela boa comida e boa carta de vinhos. Tem em sua adega, vinhos portugueses famosos como Barca Velha e o ícone espanhol Vega Cecília. O Portugália tem como diferencial, pegar os clientes nos hotéis de limousine (foto). A criançada adorou o passeio de limousine pelas ruas de Gramado! Os preços são bem em conta. Optei pelo menu degustação com uma entrada de bolinho de bacalhau e azeitonas, em seguida três pratos de bacalhau. Custa R$68,00 por pessoa e vale muito a pena. Tomei um Monte dos Cabaços Branco 2008.
                   O Le Petit Clos é outro destaque na cidade de Gramado, um restaurante meio francês meio suíço. Uma carta de vinhos bem interessante. Pedimos e aprovamos um fondue de carne na pedra (foto) para duas pessoas ao preço de R$92,00. Vem com dez tipos de molhos para temperarmos a nossa carne a gosto. Na sobremesa fomos de fondue de chocolate. Destaque foi a variedade de frutas: mamão, morango, maçã, melão, laranja, abacaxi, pêssego, banana e uva. Na minha opinião, esse foi o restaurante de melhor custo benefício que frequentei em Gramado. O vinho foi o Salton Talento 2006.
                  Em Canela, o grande destaque foi o restaurante Le Monde do chefe Floriano Spiess.  Fui a convite do amigo anestesiologista e enófilo Fernando Squeff Nora, que diga-se de passagem nos recebeu divinamente bem. Acolheu toda minha família. Ele e sua mulher Débora, (Cirurgiã Plástica) foram nota dez!
                   No Le Monde optamos pelo menu degustação. São servidos dez pratos, um verdadeiro show! Para harmonizar, iniciamos com um espumante rosê de uva baga do Luiz Pato (fantástico). Passamos para um vinho tinto argentino, Patrón Santiago Gran Reserva 2005 (Cabernet Sauvignon / Merlot / Syrah) e findamos com um Tocaj para acompanhar a sobremesa. Foi uma noite inesquecível. Detalhe, o elegante casal ainda nos cedeu a babá, que ficou com as nossas filhas na maravilhosa casa de serra dos amigos. A casa fica no chic complexo do Hotel Laje de Pedras em Canela. É realmente pra poucos! Ah! Detalhe, não deixaram eu pagar os vinhos.
              O casal Fernando Squeff Nora e Débora estão inaugurando uma Boutique de vinhos em Porto Alegre de nome Marchand du Vin. Serão revendedores exclusivos dos vinhos da Bodega Patrón Santiago. Vinhos de excelente qualidade e de um grande custo benefício. Tive a oportunidade de degustar o Patrón Santiago Reserva Malbec 2007 e o Patron Santiago Gran Reserva 2005. Aprovei e indico ambos. Falarei com mais detalhes desses vinhos nas próximas postagens.
            

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Planeta Alastro Bianco 2008


Vinho : Planeta Alastro Bianco
Tipo : Branco Seco
Safra : 2008
País : Itália
Região : Sicília
Produtor : Planeta
Casta : Grecanico e Chardonay (pequena quantidade)
Graduação : 12,5%
Onde comprar : http://www.wine.com.br/
Preço : R$80,00


                    A vinícola Planeta possui cinco bodegas espalhadas por toda a Sicília, dentre elas um dos destaques é a Ulmo, localizada na cidade de Sambuca de Sicília no noroeste da ilha. Essa vinícola boutique produz quatro vinhos, um tinto e três brancos. Entre os brancos tivemos a oportunidade de saborear o Alastro Bianco 2008. Uma bela surpresa.
                    Cor amarelo topázio com lágrimas viscosas.Seus aromas lembram, pêra madura, melão, pêssego e lichia. Notamos também aromas amanteigados e um pouco de mel de abelha. Realmente muito complexo no nariz. Na boca agradável, macio, volumoso, acidez muito equilibrada, final de boca longo e saboroso. Amarga um pouquinho no final, mas quando harmonizei com queijo brie e com vieiras na menteiga tudo ficou perfeito. Um vinho bom para ser tomado sozinho e ótimo para acompanhar comida. Combina bem com frutos do mar, massa a quatro queijos, risotos e peixes frescos.
                     Um vinho bem interessante, fez parte do Clube Wine do mês de outubro, e na minha opinião foi uma feliz escolha. Parabéns a Wine pelo produto.

                         

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Chateau Mont-Redon Chateauneuf du Pape 2006


Vinho : Chateau Mont-Redon
Tipo : Tinto Seco
Safra : 2006
País : França
Região : Chateauneuf-du-Pape
Produtor : Chateau Mont Redon
Castas :  65% Grenache, 15% Syrah, 10% Cisault, 5% Mouvédre, 5% Counoise-Muscadin-Vaccarèse
Onde Comprar : Padaria D`Litália (Fortaleza)
Preço : R$ 290,00

                          Destaque entre os produtores do Rhone o Chateau Mont Redon, é sinônimo de grande vinho quando se fala em Chateauneuf du Pape. Há quatro gerações produzindo vinhos, a família Abeille-Fabre tem orgulho do seu terroir, que se destaca por oferecer elagância, finess e ao mesmo tempo potência aos seus produtos.
                          Hoje, Chateau Mont Redon, é uma propriedade de 174 hectares em Chateauneuf du Pape, dos quais, 100 são ocupados por vinhas. Localiza-se mais precisamente a margem esquerda do Rio Rhone, entre as cidades de Orange e Avignon.
                          O Chateau Mont Redon Chateauneuf du Pape 2006 é um vinho que após elaborado, evolui 18 meses em barricas de carvalho francês, e 6 meses na garrafa, antes de sair para o consumo. Na sua composição reune oito cepas das treze oficiais de um Chateauneuf du Pape.
                          No visual é ainda jovem, tem uma cor rubi com halo terracota e  lágrimas bem presentes. No nariz, uma explosão de aromas, destaque para frutas vermelhas (morango e cereja) e frutas negras (ameixa). Com o passar do tempo vem os aromas tostados, especiarias (pimenta) e couro. Na boca um vinho sedoso, macio, elegante. O álcool e o tanino estão perfeitamente controladas e integrados, e sua acidez é perfeita. Retrogosto bem longo, deixando aquela sensação agradável no final de boca sem nenhum amargor.
                         Realmente um excelente vinho. A única coisa que me faz falar mau desse belo francês é o preço. Calma ! Eu não paguei sozinho esta garrafa. No dia da degustação, eu o Alexandre Fialho, o Marcus Fiúza e o Marcos Vale "rachamos" uma garrafa. E tem mais ! Tomamos numa quinta-feira na padaria D`Litália em Fortaleza. Pra saber... Nas quintas feiras, os vinhos da carta tem 50% de desconto se for bebido lá. Então como vimos, valeu a pena. Foi muito bom e barato. Muitas vezes para se beber vinho bom e caro temos que usar a criatividade e o cooperativismo.
PS. Ao meu juízo, este Chateauneuf-du-Pape deve melhorar mais ainda nos próximos cinco anos.
                         
                         

sábado, 6 de novembro de 2010

Gran Hacienda Merlot 2008


Vinho : Gran Hacienda
Tipo : Tinto Suave
Safra : 2008
País : Chile
Região : Valle del Rapell
Protutor : Viña Santa Rita
Casta : 100% Merlot
Graduação :14%
Onde Comprar : www.wine.com.br
Preço : R$ 45,00

                            A Vinícola Santa Rita foi reconhecida pela conceituada revista americana Wine & Spirit como a vinícola do ano de 2010. O grande destaque desta vinícola está na relação qualidade preço dos seu vinhos. O Gran Hacienda Merlot 2006 é mais um dos exemplares produzidos por esta Bodega, que não foge a regra.
                            Cor rubi com halo bem evoluído (terracota), lágrimas abundantes, lentas e viscosas. Aromas de frutas vermelhas, morango um pouco de cereja e baunilha. Nota-se também algumas especiarias como pimenta, além de tostados. Na boca, macio, suave, não se nota álcool. Acidez fantástica e final de boca longo e agradável.
                            Tomei esse vinho no Malai Thai Fusion, restaurante de comida tailandeza e japoneza (comida asiática pra resumir melhor). Fiquei na dúvida de qual vinho pedir, se pedisse um branco, poderia ser apagado pelo condimento (pimenta) da comida Thai. Um tinto mais encorpado, poderia ser potente demais para os frutos do mar que iríamos comer. Então optei por um vinho varietal merlot de preço bem honesto. Sim, um vinho merlot, que poderia harmonizar com frutos do mar com temperos mais condimentados e com carnes.
                           De entrada pedimos (Eu e Fernanda) um combinado Thai. Três mini pratos:  frango com legumes, filet com legumes e risoto de camarão. Detalhe: todos esses pratos tinham toques de pimenta. O vinho foi bem com todos. Como prato principal, pedi uma massa com frutos do mar com um molho bem picante. Esse prato ofuscou o brilho do meu merlot. Entendam, o prato era muito bom, só não harmonizava com o vinho que pedi. Possivelmente, com um tannat combinasse melhor.
                           A Fernanda pediu o melhor prato da noite, um carneiro no forno. Notava-se bem os temperos a base de ervas e não era apimentado. Realmente fantástico! O carneiro desmanchava na boca. Digo sem medo de errar, o melhor prato do restaurante. Harmonizou perfeitamente com esse merlot Chileno.
                          Deixo aqui o meu abraço ao Antônio Andrade, receptivo e educado, proprietário do Malai e ao gentil e competente Fernando (maitre). O Fernando, foi fundamental na escolha dos pratos, pois comida thai não é a minha praia. Um alô também para o competente chefe Pedro que comanda a cozinha do Malai.
                         O nome dos pratos ... Ah!  É melhor ir  até o restaurante pra conferir, pois não consegui memorizar nenhum deles.. Ainda não leio e nem falo tailandês. O vinho, eu aprovei e indico. Um vinho bem elegante de excelente custo benefício.
PS. Esse vinho passa 4 meses em barricas de carvalho francês.

sábado, 30 de outubro de 2010

Palo Alto Reserva 2008


Vinho : Palo Alto Reserva
Safra : 2008
Tipo : Tinto Seco
País : Chile
Região : Maule Valle
Produtor : Viña Palo Auto (Concha e Toro)
Casta : 60% cabernet sauvignon,25% carmenere e 15% syrah.
Graduação : 13,5%
Onde Comprar : Pão de Açucar
Preço : R$ 40,00


                      A Vinha Palo Alto nasceu em 2006, no Vale do Maule. Na ocasião, foi criado seu primeiro vinho, o Palo Alto Reserva. Um blend de três fantásticas uvas : cabernet sauvignon, camenere e syrah. Hoje essa vinícula trabalha apenas com três vinhos, esse tinto que falaremos a seguir, um branco (Savignon Blanc) e um rosê (Syrah, Merlot). Com isso simplificaram o processo de seleção produzindo poucos vinhos. Um conceito interessante que vem dando muito certo.
                      Palo Alto Reserva 2008 se apresentou com uma cor rubi com halo terracota, lágrimas bem viscosas na taça e abundantes. Seus aromas impressionam pela complexidade. Logo no primeiro impacto muito pimentão verde, herbáceo, com a evolução na taça podemos sentir frutas vermelhas (morango), ameixa em caldas e por fim toques de couro, tabaco e café. Na boca, elegantíssimo, macio, preenche toda a boca. Lembra muito chocolate meio amargo. Acidez bastante equilibrada e taninos bem integrados com o álcool. Final de boca com boa persistência. Por falar em álcool quase não se nota em boca.
                      Esse vinho foi levado pelo confrade Claudionor para a confraria das terças no restaurante Divina Comida (local da confraria, em Fortaleza) e foi o campeão da noite. Junto com o Palo Alto, avaliamos também um espanhol e um exemplar da Nova Zelândia, mas o chileno ganhou em todos os quesitos, inclusive no preço. É ... Falar de relação custo benefício e não falar desse de Palo Alto Reserva 2008 é cometer uma grande injustiça.
                     A harmonização foi uma codorna grelhada, muito bem feita. Ah! Por falar em codorna, a do Divina Comida na minha opinião é a melhor de Fortaleza, sempre prefiro esse acompanhamento nas hamonizações com cabernet chilenos.
PS. Quero deixar meus agradecimento ao gentil e prestativo João, garçon que adotou nossa confraria e sempre nos trata muito bem. O joão também é responsável pelo preparo das mesas, cuida das nossas taças e do nosso decanter como se fossem dele. Um grande abraço a esse cara que realmente faz a diferença.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Falando de Châteauneuf-du-Pape...

   


      O Rhône é a faixa de vinhedos que separa o Beaujolais da costa sul do Mediterrâneo e suas praias, e é dividido em duas regiões: Rhône do Norte e o Rhône do Sul que termina em Avignon.
      Châteauneuf-du-Pape é o grande nome do sul, vinhedo localizado nas imediações de Avignon, ligado à história da Igreja, porque abriga um castelo que foi utilizado como residência de verão para os papas por volta dos séculos XII e XIV, quando questões políticas em Roma obrigaram a transferência da direção da igreja da Itália para a França. Essa ligação foi importante para o vinho da região, sobretudo sob o papado de Clemente V ( arcebispo de Bordeaux ) e João XXII, já que se tratavam de grandes conhecedores de vinhos.
      O clima da região é mediterrâneo, e os solos, pedregosos, constituidos por pedras grandes e roliças com formato de ovo de pato, que são a marca registrada da região. As pedras retêm o calor do sol durante o dia, irradiando de volta à noite, contribuindo para a perfeita e lenta maturação do fruto.
      O resultado é um vinho de coloração intensa, aroma potente, complexo e muito estruturado, robusto de corpo, com o teor alcoólico variando entre 14% e 15%. Apesar de toda esta força, é muito equilibrado, harmônico e macio. Um vinho sedoso, que dar a impressão de encher toda a boca.
       As uvas permitidas para se fazer um Châteauneuf-du-pape são 13, e cada produtor tem sua receita. Pouquíssimos produtores têm em seus vinhedos as 13 cepas. A maioria prefere ficar só com as principais. Na prática há um domínio da Grenache em torno de 60 a 80%. Tem um grande potencial alcoólico mas, é deficiente na cor atributo compensado pela Syrah. Também podem entrar na composição as uvas: Cinsault, Mourvèdre, Counoise, Clairette, Bourboulenc, Picpoul, Terret Noir, Vaccarèse, Muscardin, e Picardan. Uma mistura de tintas e brancas, as últimas para dar mais leveza, tornando o vinho menos austero na juventude.
      Com seus 3200ha, sem dúvida, o mais conhecido e discutido das Côtes du Rhône Méridionales, produz um vinho difícil de classificar, com exemplares excepcionais nos bons anos e medíocres em anos difíceis.
       Para se beber um bom Châteauneuf-du-Pape o importante é ir pelo produtor, assim fica bem mais difícil de errar. Portanto passo para os leitores alguns dos principais produtores do Rhône Setentrional : Château de Beauscastel, Château Rayas, Château Mont-Redon, Domaine du Vieux Télégraphe, Château La Nerthe, Guigal, Chapoutier e Jaboulet. Como vimos a dica pra se tomar um bom Châteauneuf-du-Pape é seguir e escolher o vinho pelo produtor, assim você não leva gato por lebre.
     Os tintos de melhor qualidade precisam envelhecer de quatro a seis anos e duram bem mais. Os mais comuns são mais leves, frutados, podem ser provados depois de três ou quatro anos e não duram muito.
      Agora é com vocês! Procurem um Châteauneuf-du-Pape de bom custo benefício (de olho sempre no produtor) e comprove o que está escrito acima.
  

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sibaris Reserva Especial Chardonay 2008


Vinho : Sibaris Reserva Especial Chardonay
Tipo : Branco
Safra : 2008
País : Chile
Região : Vale do Maipo
Produtor : Bodega Undurraga
Casta : 100% Chardonay
Graduação : 14%
Onde Comprar : www.sociedadedamesa.com.br
Preço : R$ 40,00

                     Vinho elaborado na Bodega Undurraga, mais precisamente no Fundo Santa Ana, Talagante, Vale do Maipo. Fermentado em cubas de aço inox e em barris de carvalho francês e americano, este vinho permanece por mais 9 meses em barricas até ser colocado no mercado. Como vocês notam é um chardonay barricado. Eu particularmente gosto muito deste tipo de vinho, portanto, me policiarei na avaliação para não pecar por excesso.
                      Cor amarelo palha, com lágrimas grossas, abundantes e lentas. Esse chileno tem aromas de pêssego, abacaxi em caldas, mel, pão torrado, pipoca e um pouco de manteiga.. Na boca bem elegante, viscoso, aveludado, bem volumoso e com acidez muito equilibrada. Amarga um pouco no final mas, quando se bebe junto com um filé grelhado de pescada amarela, esse amargor do final vai todo embora. É... Foi isso mesmo... Harmonizei esse branco com um belo filé de peixe grelhado com azeite e alcaparras.
                      Mais um belo exemplar chileno barricado de uva chardonay, agradável e de preço bastante honesto. Aprovei e indico aos amigos leitores.
                            

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Trapiche Medalla 2005


Vinho : Trapiche Medalla
Tipo : Tinto
Safra : 2005
País : Argentina
Região : Maipú (Mendoza)
Produtor : Bodega Trapiche
Casta : 100% Cabernet Sauvignon
Graduação : 14,5%
Onde Comprar : http://www.wine.com.br/
Preço : R$ 90,00

            Com uvas de vinhas de 45 anos de idade situadas em Cruz de Piedra, Maipú, Mendoza - esse vinho, no seu processo de produção, é fermentado em pequenos tanques de concreto por um período mínimo de 25 dias, com temperatura variando entre 23 a 25 graus centígrados e maturado 18 meses em barricas de carvalho francês.
              Vermelho rubi com halo terracota, lágrimas bem abundantes, bastante viscoso no copo. Aromas de frutas vermelhas compotadas, chocolate, notas de especiarias tipo pimenta, tabaco e couro. Preenche toda boca, um pouco adocicado no primeiro ataque. Depois prevalece a acidez ficando bem equilibrado e elegante. Final de boca longo com retrogosto bem demorado, inteiro e macio do começo ao fim. Taninos bem educados e muito integrados com o álcool, que apesar dos 14,5% não incomodam em nenhum momento. Chama bem atenção pelo sabor de chocolate meio amargo. Um cabernet sauvignon argentino, segundo o Alexandre Fialho (acaviano que abriu o vinho), bem redondo sem aquela agressividade do cabernet chileno. É isso mesmo, um vinho diferenciado, aprovei e indico.
               Esse vinho foi aberto pelo amigo acaviano Alexandre Fialho, na casa do Sílvio Fiúza, excelente anfitrião. Minha família foi muitíssimo bem recebida pelos amigos. Uma bela tarde noite de domingo, belos vinhos, comida fantástica, agradáveis e educadas companhias. Parabéns ao Alexandre pelo belíssimo caldo, ao Sílvio pela bela casa e ao Marcos Fiúza pelo grande papo.
               A comida, foi um filé ao milho de shimeshi com arroz branco, muito bem feito pelo dono da casa (Sílvio). Antes disso, saboreamos carangueijo, lagosta, bolinhos de arroz, tudo feito com o maior capricho.
PS: É claro que não posso esquecer as esposas dos amigos ( Lia e Paula) pela grande acolhida que proporcionaram a minha esposa e minhas filhas.
Ah! Tudo isso aconteceu sob um grande cenário à beira mar na bonita casa do amigo Sílvio no Beach Park. Campeão faz o que mesmo?! KKKKK !!!

   

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Trapiche ISCAY 2006

Vinho : Iscay
Tipo : Tinto
Safra : 2006
Pais : Argentina
Região : Vale do Uco (Mendoza)
Produtor : Bodega Trapiche
Castas : 50% Merlot, 50% Malbec
Graduação : 14,5%
Onde Comprar : Brasil Bebidas (Fortaleza-CE)
Preço :

                   Iscay na linguagen inca significa dois. Duas belas castas que juntas dão origem a esse grande vinho, um dos expoentes da Bodega Trapiche. O enólogo Artur Azevedo numa passagen por aqui em Fortaleza comentou e fex muitos elogios a este caldo portenho. Resolvi comprar para degustá-lo.
                   Numa rápida passagem na Brasil Bebidas, aqui mesmo em Fortaleza, fiquei surpreso ao me deparar com o vinho que há muito, vinha procurando.
                   Cor vermelho rubi com halo violáceo, demonstrando toda a jovialidade e potência da malbec. Lágrimas bem lentas e em grande quantidade. Aromas de morango, amora, nota-se também pimenta, cedro, tostados ( pão e café ). Bem complexo e elegante no nariz. Na boca, um pouco alcoólico no primeiro impacto. Após a segunda taça, tudo fica mais elegante e macio. Detalhe: não decantei o vinho, o que pela lógica, se tivesse decantado não teria sentido esse álcool no primeiro gole. Acidez bem agadável, final de boca equilibrado e longo. Realmente um vinho pra se beber e indicar aos amigos sem medo de errar.
                    Esse vinho pede, um filé ao molho de funghi, carneiro assado e até mesmo uma codorna grelhada. Esse eu indico muito.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Luigi Bosca Reserva Chardonay 2008


Vinho : Luigi Bosca Reserva
Tipo : Branco
Safra : 2008
País : Argentina
Região : Mendoza
Produtor :Bodega Luigi Bosca
Casta : 100% Chardonay
Graduação : 14%
Onde Comprar : Decanter
Preço : R$60,00

                Este vinho amadurece 06 meses em barricas novas de carvalho francês e permanece evoluindo em garrafa na bodega por mais 03 meses, até ser colocado pra consumo.
                Tem uma cor dourada quase topásio, é límpido e cristalino. Lágrimas grossas, lentas e abundantes. Aromas de abacaxi em caldas, pêra madura, mel e baunilha. Muito elegante no nariz. Na boca um ataque surpreendente, ligeiramente adocidado no início, em seguida bem amplo, macio, acidez na medida, final longo e agradável.
                Luigi Bosca Reserva 2008, um vinho branco muito bem elaborado, que harmoniza perfeitamente com frutos do mar ou com um bom bacalhau. Quer saber, o espetinho de lagosta com molho de ervas do restaurante Vojnilô fica perfeito com esse branco.
                Outro dia fui ao Restaurante Tilápia do Chefe Valdir e levei esse branco. Na companhia dos amigos acavianos Alexandre Fialho e o Serginho, degustamos esse caldo portenho com uma tilápia a milanesa recheada com camarão, muito bem preparada pelo Validir. Detalhe, elegantemente o Valdir não nos cobrou rolha. Um grande abraço para todo o pessoal que faz o Restaurante Tilápia.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Catena Malbec 2007


Vinho : Catena
Tipo : Tinto
Safra : 2007
País : Argentina
Região : Mendoza
Produtor : Catena Zapata
Casta : Malbec
Graduação : 13,5%
Onde Comprar : Padaria Empório do Trigo (Fortaleza)
Preço : R$62,00

               Catena Malbec 2007, amadurece 12 meses em barricas de carvalho francês, 20% novas e barricas de carvalho americano, sendo 30% novas. É um excelente custo benefício, um malbec argentino pontuado por Robert Parker na sua safra 2005 com 91 pontos. Um feito supreendente para um vinho deste preço.
               Cor vermelho rubi com halo violáceo, ainda novo mais elegante. Aromas defumados, pão tostado, café, frutas negras tipo amora e ameixa. Na boca, surpreendente na elegância, pois,em se tratando de um malbec achei que fosse mais agressivo. Macio, redondo, taninos bem suaves, acidez bem integrada com o álcool, final de boca longo e agradável. Esse eu aprovei e indico.
                Tomei este vinho duas vezes, a primeira na churrascaria Sal e Brasa e a segunda no restaurante Villa Alexandrini na companhia dos amigos Cássio Cortez, grande cirurgião oncológico, sua amada Marília e minha mulher Fernanda. Foi um belo jantar.
PS: Na Mistral(São Paulo) custa R$47,00.
             

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Rocca 2000


Vinho : Rocca 2000
Tipo : Tinto
País : Itália
Região : Salento (Apuria)
Produtor : Angelo Rocca e Figli
Castas : Negro Amaro e Malvásia Nera
Graduação : 14,5%
Onde Comprar : Parque Recreio (Free Shoping) Fortaleza
Preço : 70,00

                              Levado pelo Paulo Elias na última hendonística da ACAV, este italiano foi motivo de muitos elogios dos presentes, a ponto de no outro dia, a maioria dos acavianos correrem para loja Parque Recreio para comprar o dito cujo.
                             Rocca 2000, um vinho italiano pronto pra beber, com todas as características de um vinho evoluído e  um preço extremammente honesto. Um custo benefício de fato e de direito.
                            Um vermelhoterracota com halo marron, mostrando já no primeiro olhar sua evolução. Aromas de café e pão torrados, pimenta, couro, e notas animais. Na boca suave, apesar dos 14,5% de álcool é um vinho bem redondo, elegante, fácil de beber. Peca um pouco pela falta de acidez no final. Ao meu juízo suas virtudes derrotam os defeitos. Um vinho que eu aprovei e indico. Uma prova inequívoca de que para beber um bom vinho, muitas vezes não precisamos pagar preços absurdos.
                           Harmoniza muito bem com carne vermelha, caça e até um bom pernil de carneiro ao forno. No dia que tomei esse vinho estava comendo um carré de carneiro.
                           Mais uma boa opção de vinho importado pelo Parque Recreio em Fortaleza.

Borgogne Hautes Cótes de Beaune GEISWEILER 2007


Vinho : Borgogne Hautes Cótes de Beaune
Tipo : Tinto
Safra : 2007
País : França
Região : Borgonha
Produtor : Geisweiler (Comerciante)
Casta : Pinot Noir
Graduação : 12,5%
Onde Comprar : Parque Recreio (Fortaleza)
Preço : R$ 37,00

              Não botei muita fé nesse vinho, mas confesso que me surpreendeu positivamente. É claro que não dá pra querer notas fantásticas deste francês, todavia, não é de se jogar fora, sobretudo pelo preço.
              Cor vermelho rubi levemente transparente com halo púrpura. Aromas de frutas vermelhas maduras principalmente cereja e morango. Também senti aromas tostados de pão, café e pimemta do reino. Esses aromas tostados, eu nunca tinha sentido num pinot noir. Na boca, é suave, elegante, acidez equilibrada, o que  torna o vinho mais palatável. Final sem muita persistência; passa rápido por boca, assim, notamos que deixa a desejar no final de boca.
              Pesando os prós e os contra, esse francês na minha opinião vale a pena, pelo preço, pelo equilíbrio e pela suavidade. Estamos diante de mais um ótimo custo benefício. Muita gente diria que esse francês é um vinho para o dia a dia. Não sei bem o que eles querem dizer com isso, mas de qualquer forma, tudo bem.
PS: É claro que não vai agradar aos que gostam de vinho com potência e estrutura. Esse exemplar da Borgonha foi levado para confraria das terças pelo amigo Fernando Monte. Todos aprovaram com algumas restrições, é claro.

domingo, 26 de setembro de 2010

Erasmo 2006



Vinho : Erasmo
Tipo : Tinto
Safra : 2006
País : Chile
Região : Maule
Produtor : Viñas La Reserva de Caliboro
Castas : 60%Cabernet Sauvignon,30% Merlot, 10%Cabernet Franc
Graduação : 14,0%
Onde Comprar : R$ 100,00
Preço : R$ 100,00 (Promoção e frete incluído)

    O Conde Francesco Marone Cinzano apostou na margem do Perquilauquén para esta mescla de cepas bordalesas no meio do agreste do Maule. Este ano, o Erasmo, pela análise do Guia Descochardos, leva o prêmio de melhor mescla tinta do Chile e segundo melhor vinho do ranking Argentina-Brasil-Chile.
    Cor vermelho rubi com halo terracota, lágrimas bem presentes que descem lentamente pela taça. Aromas de frutas vermelhas maduras, morango e um pouco de cereja. Nota-se também especiarias, madeira tipo cedro, baunilha, couro, café e pão torrado. Na boca, elegante, excelente presença de boca, macio, agradável e amplo. Final longo e retrogosto demorado. O álcool não incomoda, seus taninos são suaves e sua acidez muito equilibrada evitando que o vinho fique monótono. Um vinho que pode ser bebido agora, mas ainda melhora bem nos próximos dez anos.
     Carnes de caça, codorna e uma picanha mau passada harmonizam muitíssimo bem com este belo exemplar chileno. Eu harmonizei este caldo com um belo capote (galinha de angola) cozido na cerveja preta, foi fantástico. Experimentem!
PS: O Site http://www.vivendoavida.net/ publicou o resultado de uma degustação vertical do Erasmo  2001 a 2006. Confiram !

Poderuccio IGT 2007



Vinho : Poderuccio IGT
Tipo : Tinto
Safra : 2007
País : Itália
Região : Toscana
Castas : Sangiovese, Cabernet Sauvignon, Merlot
Graduação : 13,5%
Onde Comprar : http://www.meuvinho.com.br/
Preço : R$ 61,00

     Um Supertoscano com excelente custo benefício. Tenho visto vários vinhos desta vinícola com preços bastante convidativos. A princípio, desconfiei da qualidade dos produtos, mas resolvi arriscar. Por enquanto estou me dando bem. O Pederuccio IGT 2007 me agradou muito.
     Amadurecido 30% por seis meses em barricas de carvalho francês e quatro meses em garrafa.
     Cor rubi, lágrimas abundantes que caem lentamente pelo copo. Aromas de frutas vermelhas, especiarias, couro e cedro. Bem equilibrado e complexo no nariz. Na boca, elegante, bem estruturado. Muito bom no primeiro impacto, mas, peca um pouco por ter um final de boca não muito longo, sem muita persistência. Taninos maduros e bastante palatáveis. Percebe-se um pouco do álcool no final, mas não incomoda.
   Levei esse vinho pra confraria das terças. Foi bastante elogiado pelos amigos Werton Lôbo e  Fernando Monte. Uma boa surpresa da Toscana com preço muito honesto. Harmonizamos com codorna na brasa e picanha de porco. Foram muito boas as duas combinações.

Edizione Cinque Autoctoni 2006


Vinho :  Edizione Cinque Autoctoni
Tipo : Tinto
Safra : 2006
País : Itália
Região : Abruzzo
Produtor : Vini Farnese
Castas: 33% Montepulciano,30% Primitivo, 25% Sangiovese, 7% Negroamaro, 5% Malvasia Nera
Graduação : 14,5%
Onde Comprar : World Wine (http://www.worldwine.com.br/)
Preço : R$ 160,00

      Um italiano diferente feito para o mundo! Não é à toa que esse vinho é 90% exportado. Um vinho pra agradar o cliente internacional. Recebi um Email da World Wine com uma promoção do Edizione. Comprava 06 garrafas e pagava cinco. Então, consultei o acaviano Danilo Arruda que me passou informações positivas sobre este italiano.
      O que chama atenção neste vinho é o blend de cinco uvas autóctones italianas, e sua garrafa imponente que pesa 1,8Kg vazia. Não sei pra que tudo isso, mas tudo bem.
      O Edizione passa 12 meses em barricas novas de 225L, 40%  francesas e 60% americanas.
      Uma cor púrpura com halos violáceos, bem escuro mesmo. Suas lágrimas descem lentamente pela taça. Aromas de chocolate branco, baunilha, ameixa, amora e côco. No final, nota-se tabaco, aromas tostados e especiarias. Na boca, grande personalidade, cremoso, carnudo, muito elegante, taninos bem maduros, final de boca longo, muito longo. Percebe-se pouco o álcool apesar dos seu 14,5%. Um vinho que realmente impressiona. É maravilhoso! Um ícone da moderna vinicultura italiana. Um blockbuster estilo moderno com o caráter das cepas italianas. Bela indicação do amigo Danilo Arruda.
     Pode ser harmonizado com uma bela carne vermelha, tipo um contra filé argentino ou até mesmo ser bebido só, com um belo charuto. Eu tomei sem acompanhamento. Aprovei com louvor e indico muito.

M Mencia Luna Beberide 2004


Vinho : Mencia Luna Beberide
Tipo : Tinto
Safra : 2004
País : Espanha
Região : Bierzo
Casta : 100% Mencía
Graduação : 13,5%

      A região de Bierzo, até então desconhecida pra min, fica localizada à noroeste da Espanha, e se destaca pela personalidade, frescura e equilíbrio dos seu vinhos. O Bierzo é um amplo vale ao longo do rio Sil, que fica situado entre o clima seco da serra e a influência úmida do atlântico. Tem como principais uvas a tinta Mencia e a branca Godello.
      Cor terracota com halo alaranjado pra marron, lágrimas abundantes. Aromas de especiarias, pimenta, tostados, café, estábulo. Nota-se também aromas herbáceos. Seu paladar é agradável, excelente estrutura, elegante, álcool presente, mas não incomoda. Acidez agradável e taninos bem domados com final longo e macio. Um vinho bem estruturado, bem evoluído, realmente marcante.
     Esse vinho eu ganhei de presente (amigo secreto), na minha primeira reunião da ACAV no natal do ano passado. Quem me presenteou foi o Danilo Arruda. Guardei na adega e só agora resolvi abrí-lo. Tomei este caldo espanhol com o meu amigo Marcos Bandeira, que também elogiou muito o vinho. Só me resta agradecer ao Danilo pelo belo presente e ao Marcos Bandeira pela companhia e maravilhoso papo.
PS: Não sei o preço deste vinho, mas, posso adiantar que o presente do amigo oculto tinha que ser um vinho em torno de R$50,00, então, tirem suas conclusões. Esse eu aprovei e indico.

Muga Selección Especial 2004


Vinho : Muga Selección Especial
Tipo : Tinto
Safra : 2004
País : Espanha
Região : Rioja
Produtor : Bodegas Muga
Casta : 70% Tempranillo, 20% Garnacha e 10% Mazuelo e Graciano
Graduação : 13,5%
Onde Comprar : D`litália (Fortaleza)
Preço : R$ 220,00 (às quintas você paga R$110,00

            Antes de chegar ao consumidor final, esse vinho passa 6 meses em cubas de carvalho americano, 30 meses em barricas de 225L de carvalho americano e francês e 12 meses em garrafas. Como vimos, um caldo bem preparado antes de ser servido.                 
           Muga Selección Especial 2004 foi um vinho escolhido para degustação na última quinta feira dia 23 de setembro. Pra quem não sabe, às quintas feiras na D`litália o vinho da carta é vendido pela metade do preço. Os vinhos tem que ser bebidos no estabelecimento, não se pode comprar e levar pra casa.
            Uma cor vermelho rubi com halo terracota, ainda jovem aos olhos. Aromas bem evoluídos com predominância de tostados, tabaco, um pouco de notas animais, café torrado, couro e côco. Bem complexo no nariz. Na boca, elegante, taninos bem integrados com o álcool, acidez bem agradável. Final de boca longo e retrogosto persistente. Um vinho amplo em boca, que agradou tanto a min quanto ao Alexandre. Uma bela surpresa! Acho que ainda está jovem e deve melhorar ainda mais nos próximos cinco anos.
             Pra harmonizar, pedimos queijos, frios e torradas de queijo mussarela com molho de tomate. Foi uma bela degustação. Estava também presente o grande Carlito, consultor de vinho da Opção, pois às quintas-feiras ele se faz presente na padaria, para orientar os clientes na escolha do vinho. Gostei muito da degustação, boas companhias (Alexandre e Carlito) e um papo formidável.
PS : Esse vinho vai muito bem com um belo pernil de carneiro com batatas ao forno.
Antes do tinto tomamos um branco também da Muga, mas depois eu conto sobre ele.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A degustação do vinho. Parte 01

  

      O objetivo desta postagem é proporcionar ao leitor uma noção básica sobre degustação, pois muitas vezes o entendimento mínimo da apreciação de um vinho nos leva a descobrir novos horizontes no mundo da enogastronomia. Quer ver um exemplo clássico? Quando vamos para uma aula já tendo lido sobre o assunto, nosso aproveitamento é infinitamente superior. O mesmo acontece com o vinho. Se você vai degustar já sabendo o que explorar, o que avaliar, como proceder para tirar o máximo daquele vinho, melhor será o seu aproveitamento e melhor será a sua análise crítica.
      A degustação, também chamada análise sensorial ou exame organoléptico, tem como objetivo apreciar todos os aspectos do vinho que sensibilizam os sentidos da visão, do olfato e do paladar. Podemos dizer também, que a audição é estimulada pelo som que o vinho provoca quando cai na taça, dando uma ideia da sua densidade.
       Com alguns conhecimentos e bastante prática, qualquer um pode tornar-se um bom degustador.
       Como se degusta corretamente um vinho? A degustação do vinho consiste em três etapas: o exame visual, o exame olfativo e o exame gustativo.
        Falaremos nesta primeira postagem sobre degustação do exame visual de um vinho.

Exame Visual: Cor
        O  exame visual, deve ser feito com uma quantidade de vinho entre um terço e metade do volume da taça e deve observar os critérios de cor, limpidez, brilho, transparência e viscosidade. A degustação realmente começa pelo exame visual. A visão é o primeiro identificador que informa ao mesmo tempo sobre o estilo e a idade do vinho, analisados através da tonalidade, do halo, da limpidez, da coloração, da fluidez e eventualmente da efervescência.
        No olhar se reconhece o rendimento da vinha, as tonalidades típicas de uma variedade, a safra, a tipologia do clima, e a evolução do vinho na garrafa.
         Um tom profundo, denso, rico, com halo em nuances púrpuras estará mais próximo de um Malbec da Argentina do que um Sangiovese da Toscana. Por outro lado, uma cor leve, resultando em um sutil reflexo rubi, nos faz pensar em um Pinot Noir da Borgonha.
         Para começar um exame visual, o avaliador deve segurar o copo pela base e incliná-lo diante de uma fonte de luz.
          Os vinhos brancos variam do amarelo-esverdeado, amarelo-palha, dourado, amarelo-âmbar ao alaranjado. Como vimos, o vinho branco vai ganhando cor a medida que vai evoluindo. Os brancos bem jovens apresentam tonalidades esverdeadas. Devem ser bebidos preferencialmente, durante o verão, em seu frescor, e espontaneidade. Geralmente não passam por madeira e são compostos por variedades aromáticas como a sauvignon, a muscat, ou a riesling. De acordo com a intensidade da insolação, ou o tempo de barricas, esses mesmos brancos perdem suas tonalidades verdes para apresentar-se com uma cor palha e dourada. Se a cor é amarelo-âmbar ou topázio, temos certeza de que estamos diante de um vinho com a idade mais avançada. Um vinho com essa cor pode também está oxidado, ou seja, já passado. Portanto esse fenômeno de mudança de cor ao longo dos anos, se deve ao contato do vinho com o oxigênio. Ele pode ser vantajoso, ou se for um contato prolongado, pode ter uma influência nefasta.
            Os rosés oferecem um degradê do rosa-pálido ao pétala de rosa, salmão, cereja, clarete.  A intensidade da cor neste caso, depende sobretudo da assemblage. A idade de um vinho rosé não garante exatamente sua qualidade: uma cor clara demais e um halo levemente alaranjado indicam um vinho envelhecido demais. Por outro lado para um champanhe rosé de uma grande safra, estar caracterizado com um tom mais pálido é sinal positivo de envelhecimento.
             Os vinhos tintos exibem tonalidades variando do púrpura ao alaranjado, passando por fases rubi, bordô e terracota. A coloração púrpura evoca vinhos mais jovens; os rubis e os bordôs evocam vinhos prontos para beber e maduros; os vermelhos terracota e os alaranjados evocam vinhos antigos. Um vinho cor terracota poderá revelar um grande terroir da Toscana, como também uma garrafa de Ribera Del Duero, mas por outro lado, ele indicará um vinho apagado no caso de um Pinot Noir alemão. É indispensável inclinar o copo para observar os halos sobre as bordas do disco que formam a superfície do líquido.

 Limpidez e brilho
        Um vinho de boa qualidade tem que ser límpido e brilhante. Não deve ser pálido, nem conter partículas, com exceção dos vinhos de longa guarda, como os Bordeaux, os Barolos, Barca Velha etc.

 Transparência
        Um vinho deve ser transparente, permitir a leitura através da taça. Os tintos quando não filtrados e de cor intensa, são menos transparentes. Vinhos francamente turvos ou opacos geralmente estão defeituosos.

 Viscosidade
        Um bom vinho deve apresentar certa viscosidade, isto é, apresentar um certo ¨peso¨, de certa forma aderindo nas paredes da taça. Girando-se um pouco de vinho na taça, ele escorre lentamente nas paredes, em forma de filetes chamados de lágrimas. Quanto mais lágrimas, mais álcool terá o vinho.

 Gás
       A maioria tem pouca quantidade de gás carbônico e são imperceptíveis à visão, por isso, diz-se que  trata-se de um vinho tranquilo. O gás carbônico está presente em maiores quantidades nos espumantes e nos frisantes. Nesses dois tipos de vinhos, sobretudo nos espumantes, o gás carbônico forma bolhas, cujo conjunto denomina-se perlage e deve ser analisado visualmente.